Ampliar imagem | Tamanho original
A LUZ e a transparência são extraordinárias artilharias de produção de visibilidade. Por mil e uma noites, a mega-cristaleira é uma aparição, a caverna do Ali-Babá repleta de tesouros. A cena do aquário rutilante oscila entre o pornográfico, o exacerbado mais real que o real a saltar para o asfalto, e a sensualidade do apenas sugerido com a promessa de que tudo o que se desejar está contido na abundância destas caixas mágicas. No seu ensaio sobre a sedução, Baudrillard lembra que no moralismo religioso os sedutores e os artifícios são coisas do mal, do feminino, do sexo e da perversão. Assunto diabólico ao serviço da máquina do desejo e do artifício, a sedução é um descentramento, uma irrealidade alucinada. E no entanto, porque houvera de ser isso se até um pavão destituído de pensamento mágico carrega tal parafernália de plumas e cores só para exibir aquele ritual de brilho e coreografia sobrenatural para fêmeas abstroncias? (De la Séduction, Paris, Galilée, 1979). Veja mais Veja a descrição completa
Compartilhar Compartilhar