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10 mitos sobre o trânsito segundo o CityLab

10 mitos sobre o trânsito segundo o CityLab
10 mitos sobre o trânsito segundo o CityLab, Rodovia Costanera Norte, Santiago. Imagem © alobos Life, vía Flickr
Rodovia Costanera Norte, Santiago. Imagem © alobos Life, vía Flickr

Pensar que quanto mais rodovias tiver uma cidade, mais descongestionadas estarão suas ruas e que substituir pistas por ciclovias somente causará mais engarrafamento são duas crenças equivocadas que os cidadãos podem ter em relação ao tráfego, mesmo sem ter uma experiência prévia sobre o tema.

Entretanto, são várias as teorias que explicam porque estas situações são equivocadas, quase como se fossem preconceitos. Para evitar que tais pensamentos sejam mantidos, o site CityLab publicou um artigo no qual apresenta 10 destas ideias como mitos que ainda persistem.

1. “Mais rodovias significa menos tráfego”

A demanda induzida é uma teoria que considera que enquanto existam mais vias para automóveis, mais pessoas terão que usar este meio de transporte, pensando que as ruas e rodovias estarão descongestionadas. Entretanto, na prática, ocorre o contrário, porque uma maior quantidade de vias induz a usar mais o automóvel. 

Sobre esta teoria, o artigo do Citylab apresenta-se da seguinte forma: se em uma pista existem 100 automóveis e é construída uma segunda, se poderia pensar que ficariam 50 em cada uma, mas ao longo do prazo o que ocorre é que estas vias serão vistas como uma nova opção de rota para os outros automobilistas. 

2. “Mais trânsito significa menos tráfego”

Quando se anuncia um novo sistema de transporte público, a ideia inicial é que mais habitantes tenham alternativas ao fazerem seus trajetos diários. No entanto, o espaço que é liberado por quem realmente deixa seus automóveis em suas casa e utiliza os ônibus públicos ou metrô, é visto por outros condutores como um novo lugar para circular, o que desemboca em um congestionamento permanente nas ruas. 

Por este motivo, o artigo considera adequado que quando é anunciado um novo sistema de transporte público se complemente com a aplicação de taxas de congestionamento, para desincentivar o fato de que mais pessoas utilizem o automóvel.

3. “As ciclovias pioram o tráfego”

Ao redor do mundo, são várias as cidades que estão eliminando os estacionamentos para automóveis nas ruas ou em vez de destinar uma certa quantidade de pistas aos veículos, habilitam ciclovias no seu lugar.

Exemplos disso são os projetos que foram implementados em Chicago, Montreal e Santiago.

Um caso que o site Citylab faz referência é o que fez Nova Iorque, especificamente nas avenidas Columbus e na Oitava. Em ambas, passou-se de cinco pistas para automóveis a quatro, que são mais estreitas, e implementou-se uma ciclovia junto com um espaço de segurança. Com isso, em vez de aumentar o congestionamento, o que aconteceu foi reduzir os tempos os deslocamentos de 35% e 14%, respectivamente.

4. “Uma avenida grande é mais segura”

Em várias cidades canadenses e estadunidenses, a maioria das pistas para automóveis estão desenhadas com uma largura de 3,6 metros, já que a percepção apontada há décadas que se os espaços para transitar eram mais largos, se tornavam mais seguros e os condutores poderiam manobrar melhor.

No entanto, pesquisas mais recentes demostraram que esta percepção está errada, devido a que induz os motoristas a conduzir mais rápido, fazendo com que o lugar para todos os usuários do espaço viário seja mais inseguro.

Um desses estudos foi o que fez o engenheiro civil Dewan Masud Karim que avaliou dezenas de intersecções de Tóquio e Toronto, onde as larguras das pistas são de 3,1 metros e 3,2 metros, respectivamente. Apesar da diferença de dimensões ser pequena, isso influencia notoriamente nas consequências, já que o estudo afirmou que nos cruzamentos da cidade canadense os automóveis conduziam a velocidades 34% maiores em comparação com Tóquio.

5. “A pista ao lado vai mais rápido”

Quando os condutores estão em um engarrafamento tendem a pensar que a pista do lado sempre anda mais rápido, por isso, tentam trocar de filas constantemente. De fato, este movimento é muito comum, em média, a cada dois quilômetros, o que acaba por tomar mais tempo ainda.

6. “Má condução”

Para alguns, quando existe um engarrafamento na rua se deve ao fato de que os condutores que ali se encontram não sabem conduzir. Este mito é esclarecido pelo artigo de Citylab mencionando que cada movimento impreciso durante a condução gera uma "onda de choque" que desemboca em um efeito dominó de congestionamento através das ruas ou rodovias. 

7. “É preciso retirar muitos automóveis das rodovias para reduzir o congestionamento”

Durante os dias que antecederam a visita do Papa Francisco a várias cidades dos Estados Unidos, os departamentos de transporte de cada uma e os meios de comunicação anunciaram as interrupções de trânsito que aconteceriam.

Diferentemente do congestionamento que era previsto, não houve episódios de grande magnitude, pelo contrário, as ruas estiveram mais vazias. de fato, enquanto o Papa esteve em Washigton, o tráfego de veículos motorizados diminuiu 5% e as rodovias reduziram o congestionamento em até 27% durante os horários de pico. Por que isso aconteceu?

Segundo publica Citylab, isso aconteceu pelo aviso prévio feitos aos funcionários públicos e os meios de comunicação. Imaginem os efeitos que isso traria para as cidades se fosse anunciado diariamente?

8. “Eliminar uma rodovia urbana pode de ser um pesadelo para o tráfego”

O anúncio da construção de uma rodovia ainda é visto, por alguns, como uma solução para o congestionamento viário.

Entretanto, a tendência que está se multiplicando em algumas cidades e que demostrou efeitos positivos nesse tema é que em vez de implementar mais destas infraestruturas, os lugares onde foram feitas está sendo devolvido aos pedestres e aos meios sustentáveis de mobilidade. A razão? Simples. Não fomentar mais o uso de veículos motorizados nas cidades e com isso evitar as desvantagens que traz para os habitantes, ao meio-ambiente e claro, ao congestionamento das ruas.

São muitos os casos deste tipo ao redor do mundo e começaram a ser desenvolvidos há vários anos, ou até mesmo décadas. Por exemplo, em 1974, a cidade estadunidense de Portland decidiu demolir a rodovia Harbor Drive para construir o atual Parque Tom McCall.

Em Cheonggyecheon, Seul, também se demoliu uma rodovia para construir um parque, o que permitiu recuperar um canal subterrâneo para 'privilegiar' a passagem de veículos. Ou seja se havia decidido deixar para trás um entorno natural no meio da cidade para convertê-lo em um lugar congestionado. O positivo, tanto para os habitantes quanto para o meio-ambiente, foi que ele se transformou em um novo espaço público.

Se quiser conhecer mais casos deste gênero, lhe convidamos a ler nosso artigo “6 cidades que substituíram suas rodovias por parques urbanos”.

9. “O preço do combustível não é um inconveniente”

Por muito convenientes que possam parecer os preços baixos dos combustíveis, não se pode esquecer que trazem consigo outros inconvenientes. Neste caso, são sociais e correspondem ao fato de serem um elemento presente no congestionamento atmosférico, o congestionamento viários e as vítimas nos acidentes viários.

10. “Os condutores arcam com a totalidade do custo de manutenção”

Erroneamente, parte dos automobilistas acreditam que pagar as  as taxas de circulação, lhes confere maior direitos de uso do espaço viário porque são eles quem pagam a manutenção de infraestrutura viária. 

No Estados Unidos, a situação foi assim até que entrou em vigência o projeto de Lei de Rodovias Federais que indica que em vez de aumentar o imposto dos combustíveis, se teve que recorrer aos outros fundos públicos para financiar a manutenção das rodovias, o que o Citylab  descreve que "fez com que a situação fosse ainda pior".

Sobre este autor
Constanza Martínez Gaete
Autor
Cita: Gaete, Constanza Martínez. "10 mitos sobre o trânsito segundo o CityLab" [10 mitos de tráfico según CityLab] 31 Jan 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/781177/10-mitos-do-trafigo-segundo-citylab> ISSN 0719-8906