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Distopia Corporativa: Um mundo onde as companhias de tecnologia governam nossas cidades

Distopia Corporativa: Um mundo onde as companhias de tecnologia governam nossas cidades

E se os fabricantes de celulares e redes sociais, aos quais somos tão apegados, se tornassem os governantes das cidades do amanhã? Imagine um mundo em que cada edifício de seu bairro é de propriedade da Samsung, regiões inteiras são ocupadas pelos fantasmas digitais de nós mesmos e cidades brotam em águas internacionais para abrigar trabalhadores terceirizados. Estes são os cenários imaginados para o autointitulado arquiteto especulativo, Liam Young, em sua última série de animações chamada "New City". Veja, a seguir, as três animações de Young e saiba o que está por vir na série.

De "The City in the Sea". Imagem Cortesia de Liam Young De "Keeping Up Appearances". Imagem Cortesia de Liam Young De "Keeping Up Appearances". Imagem Cortesia de Liam Young De "The Edgelands". Imagem Cortesia de Liam Young + 8

Público Assistindo "The City in the Sea" em tamanho real. Imagem Cortesia de Liam Young
Público Assistindo "The City in the Sea" em tamanho real. Imagem Cortesia de Liam Young

O estúdio de Liam Young, Tomorrow’s Thoughts Today, explora as "consequências do urbanismo fantástico, especulativo e imaginativo" via técnicas de ficção e filmagem, com animações em alta definição acompanhadas por histórias escritas por Jeff Noon, Pat Cadigan e Tim Maughan. A produção de imagens pretende "nos ajudar a explorar as implicações e consequências das tendências emergentes, tecnologias e condições ecológicas", explorando tais tendências emergentes através da mídia, tecnologia e cultura popular com o objetivo de exagerá-las e assim, entender melhor nosso próprio mundo e, consequentemente, nosso futuro. O coletivo vem se desenvolvendo como um modelo para uma prática arquitetônica pautada na pesquisa e especulação como fins e meios em si mesmos, ao invés de pensar apenas edifícios como produtos finais. As animações são um recurso frequentemente usado pelo coletivo, como conta Liam Youn ao ArchDaily:

" As animações com skyline urbano foram desenvolvidas para serem expostas como um projeto em uma escala enorme, maior do que o corpo, para que, assim, o público precise mover-se pelo panorama, habitando-o como fariam em uma cidade ou edifício. Cada animação é repleta de detalhes, assim, cada vez que é assistida você pode encontrar algo diferente. A escala das projeções permite que você esteja completamente imerso na cidade imaginária e consumido pela paisagem sonora. Você pode sentar-se e ler a história que se passa na cidade.".

De "Keeping Up Appearances". Imagem Cortesia de Liam Young
De "Keeping Up Appearances". Imagem Cortesia de Liam Young

A última série sintetiza vários objetivos objetivos do coletivo ao olhar para as cidades em uma macro escala, exagerando as tendências em vários estágios da indústria. As animações produzidas na série até agora, focam principalmente no setor de tecnologia e usa cidades existentes como precedentes para explorar os temas e os decorrentes comentários sociais. Por exemplo, na animação intitulada "Keeping Up Appearances" (veja o vídeo) uma cidade do futuro é imaginada de forma que todo sinal visível no contorno dos edifícios no cenário urbano é um comercial da Samsung e seu logotipo brilhante representa a propriedade da marca sobre o estado. Baseado em um fenômeno que vem ocorrendo em muitas cidades da Coreia do Sul - nas quais a Samsung começou a se envolver no desenvolvimento de propriedades - nesse cenário exagerado a ideia de entidades empresariais como influências determinantes no desenvolvimento e crescimento do Estado torna-se perturbadoramente plausível, com destaque para o fato de que, no mundo, várias empresas possuem receitas que superam o PIB de alguns países. Young comenta:

"O perfil urbano como plataforma para marcas é apenas a consequência mais visível de nossa fidelidade aos produtos. O que eu quero dizer é que a nossa relação com a tecnologia está, na verdade, gerando formas totalmente novas de cidade, e novas noções de espaço e localização. Onde estamos no mundo importa muito menos agora do que como estamos conectados e a quem estamos conectados. Nós vemos agora novas formas de cidade geradas acerca de escolhas de sistemas operacionais, quem curtimos no facebook, nossa rede no twitter etc. Eu estou muito mais próximo de minha comunidade virtual do que meus vizinhos físicos. A rede permitiu aos atores "não estatais" a permear todos os aspectos de nossas vidas."

O próximo vídeo na série, intitulado "The City in the Sea", olha para todos os reais problemas do trabalho terceirizado e das cidades industriais no mundo em desenvolvimento. Levando isso ao extremo na animação, a cidade imaginária é completamente desvinculada de qualquer forma de identidade nacional e só existe para fornecer um refúgio corporativo para fabricantes, já que é desprovida de regulamentos e impostos. De acordo com Young:

"The City in the Sea é uma colagem de cidade multicultural feita a partir de fotografias tiradas em expedições em áreas de terceirização na Índia e na China. A cidade corporativa flutuante é construída sobre a mancha de lixo do Oceano Pacífico e deriva em águas internacionais, fora do alcance das leis trabalhistas nacionais, para se tornar uma zona de livre comércio apoiar as mega empresas com base em terra. É uma cidade que remete a uma longa tradição de Estados livres, das tradições de utopias piratas, ilhas que existiam com suas próprias leis e governança para as especulações dos paraísos de dados off-shore no abandonado forte naval de Sealand ou embarcações misteriosas do Google. Também vemos os mesmos desejos de escapar jurisdição jogarem em terra com a formação de zonas econômicas especiais e regiões de livre comércio. Estas formas de território obrigam-nos a repensar o que pode significar uma fronteira na era da rede."

O terceiro vídeo da série aborda uma qualidade muito mais efêmera e, simbolicamente, representa um elemento que é vital para nossas vidas cotidianas, ainda invisível para a maioria. A ideia de nossa identidade on-line tornou-se cada vez mais tangível para qualquer um que usa o Facebook ou navega na web. Cada um de nós possui uma vasta quantidade de informações importantes que são armazenados na "nuvem", mas esta noção abstrata tem muito pouca conexão física com nossas vidas. A maioria das pessoas provavelmente não tem noção de onde ficam armazenados seus dados, mas, geralmente, eles são mantidos em grandes bancos de dado em locais como a cidade de Prineville, Oregon. Essas cidades despretensiosas guardam alguns dos bens mais procurados do mundo: identidade pessoal armazenada digitalmente. Young também vê centros de dados como este como uma nova fronteira da arquitetura e descreve o seu significado:

"Esta parte de Nova Iorque é construída para máquinas, é a paisagem física da "nuvem", a paisagem cultural de nossa geração. Estou muito interessado em o que estes locais físicos da internet realmente significam, eles são uma tipologia cultural completamente nova e os arquitetos devem prever esses espaços de centro de dados nos projetos. Seria a internet um lugar para visitar, como são locais de peregrinação, espaços de congregação a serem habitados como uma igreja aos domingos? Será que alguma vez nós desejaríamos conhecer nossos "eus-digitais", ficar frente a frente com o hacker, ou ver-nos, olhando para trás, em um milhão de lâmpadas de LED de cor 'azul-facebook'? Toda época tem um tipologia arquitetônica icônica. A comissão dos sonhos fora uma vez a igreja, o Modernismo teve a fábrica, então a casa e, na última década, tivemos o museu e a galeria 'starchitect'. Agora, temos o centro de dados, o próximo fórum da cultura arquitetônica".

"The City in the Sea" apresentada em tamanho real. Imagem Cortesia de Liam Young
"The City in the Sea" apresentada em tamanho real. Imagem Cortesia de Liam Young

É claro que o setor de tecnologia já teve um papel transformador muito importante em nossa economia global, e o trabalho de Liam Young nos da uma ideia de como a tecnologia pode, finalmente, influenciar nosso mundo concreto. Por ilustrar estes potenciais cenários futuros e exagera-los, Young abre uma plataforma para discussão sobre como tomar controle sobre nosso mundo concreto. Mas o que vem a seguir nas séries? Quais outras questões culturais urgentes requerem atenção se quisermos entender o nosso ambiente construído? Young conta ao ArchDaily:

"Estou interessado em continuar a olhar para os novos tipos de "cidade" que estão surgindo fora da rede. As cidades estão, cada vez mais, sendo projetadas não para as pessoas que as ocupam, mas para as tecnologias e algoritmos que estão sendo construídos para compreendê-las e gerenciá-las. Cidades desenvolvidas com base em uma lógica de visão de máquina, linhas de visão por satélite, sistemas meteorológicos Wi-Fi e assim por diante são todas objeto de interesse. Essas tecnologias estão mudando fundamentalmente o significado das cidades e esses tipos de projeto especulativos são fundamentais para vislumbrar cenários possíveis para discussão."

Distopia Corporativa: Um mundo onde as companhias de tecnologia governam nossas cidades, De "Keeping Up Appearances". Imagem Cortesia de Liam Young
De "Keeping Up Appearances". Imagem Cortesia de Liam Young

Os leitores podem ver todos as três animações acompanhadas com contos de Jeff Noon, Pat Cadigan e Tim Maughan, pelo perfil de Liam Young no Vimeo.

Sobre este autor
Evan Rawn
Autor
Cita: Rawn, Evan. "Distopia Corporativa: Um mundo onde as companhias de tecnologia governam nossas cidades" [Corporate Dystopia: Liam Young Imagines a World in which Tech Companies Own Our Cities ] 10 Abr 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Brant, Julia) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/764960/distopia-corporativa-liam-young-imagina-um-mundo-no-qual-companhias-de-tecnologia-possuem-nossas-cidades> ISSN 0719-8906