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Numa das entrevistas que fomos fazendo ao longo dos últimos meses, a primeira pergunta de um jornalista, habituado a entrevistar e escrever sobre o que se entendeu chamar “arquitectura portuguesa”, imediatamente após visitar connosco o Monte Xisto, foi: “o que fazem aqui?” A pergunta é curiosa porque diz muito do castelo em que a arquitectura – não exclusivamente a portuguesa, mas a mais mediatizada – se encerrou. Na verdade, ao longo da história, sempre houve arquitectos a trabalhar nestes contextos e, nos meios de comunicação da especialidade, a sua actividade tem tido ciclos de maior e menor visibilidade. Mas, nas últimas décadas, a arquitectura foi hiper-mediatizada, massificando-se a sua difusão. A sua imagem foi um instrumento da propaganda de um mundo neoliberal – rico, feliz e espetacular – a que todos deviam aspirar. As várias crises que se foram sucedendo, com particular relevância para as da dívida soberana, abalaram a ilusão de que o mundo caminhava para a paz e de que o bem-estar chegaria no fim do caminho. Os mega-projectos, mais mediáticos, foram sendo suspensos ou desviados para a zonas reservadas, em que a bolha imobiliária ainda vai sendo mantida, do Médio Oriente à Ásia, em realidades sentidas como distantes e instáveis. Utilizando os mesmos instrumentos de divulgação, emergiu uma nova realidade de projectos mediáticos. Mais tarde do que cedo, isto também está a ter um reflexo em Portugal. Veja mais Veja a descrição completa
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