Pós-modernos sem ter sido modernos? / Álvaro Domingues

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"Criado originalmente para o jornal Homeland - News from Portugal – representação portuguesa na 14ª Exposição Internacional de Arquitectura – La Biennale di Venezia 2014".

Entre o exótico e o periférico, Portugal permanece (até para os portugueses) uma coise indecifrável. O passado mítico e o futuro opaco colidem num presente de crise e banalidades – fados trágicos, agora que a crise veio outra vez cobrar às gentes desta terra condenadas a oscilar entre o fausto e a decadência sem nunca se ter achado a medida justa entre as duas. Já nos aconteceu mais vezes ter perdido o fio da narrativa; começar coisas sem as acabar.

Na introdução da obra de referência de François Lyotard, “La condition postmoderne”, 1979, o autor afirma que a pós-modernidade é sobretudo uma atitude de desconfiança face às grandes narrativasda modernidade. Não se trata, por isso, de instituir o final de uma era e o começo de outra; trata-se antes de uma re-escrita de alguns traços reivindicados pela modernidade. A hipermodernidade(Baudrillard), a sobremodernidade (Marc Augé) ou a modernidade tardia (G.Vattimo), constituem outras tantas designações sobre as ilusões das certezas do conhecimento – conhecer para prever, como defendia Auguste Comte -, da racionalidade, da tecno-ciência, do Estado, da democracia e do capitalismo como garantia de continuidade e eficácia do progresso do progresso.

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Sobre este autor
Cita: Joanna Helm. "Pós-modernos sem ter sido modernos? / Álvaro Domingues" 07 Ago 2014. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/625227/pos-modernos-sem-ter-sido-modernos-alvaro-domingues> ISSN 0719-8906

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