
Espaços públicos, sejam eles internos ou externos, públicos ou privados, caracterizam-se como locais dos encontros, das oportunidades, trocas de ideias ou mercadorias, e, em última análise, são o que conferem identidade às cidades. Contudo, com a ascensão da internet e das redes sociais, diversas dessas funções migraram para o ambiente virtual ou perderam parte de sua relevância e tivemos um baque nas relações durante o longo tempo de isolamento com a pandemia. Diante desse desafio, os arquitetos se deparam com a questão fundamental de como revitalizar esses espaços cruciais para a sociedade, sabendo de sua importância vital. Será que o design pode ser a chave para reavivar esses locais? Como tornar locais que são, ao mesmo tempo, de todos e de ninguém, realmente confortáveis para as pessoas permanecerem?
O escritório de arquitetura Johnston Architects (JA), com sede em Seattle, tem buscado implementar essa mudança nos espaços coletivos, trazendo alguns elementos tradicionalmente confortáveis de residências unifamiliares e espaços de hospitalidade para o domínio de projetos públicos e espaços de uso misto. A transformação é uma resposta à evolução das formas como nos conectamos e colaboramos uns com os outros. O objetivo é claro: tornar os espaços públicos mais convidativos, mais orientados para a comunidade e, em por que não, mais parecidos com “casas”. Conversamos com Lina Baker, associada JA certificada pelo NCIDQ e designer de interiores, que compartilhou seus insights sobre como seu escritório dá vida a essa transformação e considerações importantes para os projetistas:
Como designers, podemos facilmente esquecer que nossas casas se unem organicamente, gradualmente ao longo do tempo. Adquirimos um aparador aqui, uma obra de arte ali, um abajur aqui, um tapete ali – esse método fragmentado resulta em espaços que parecem habitados e únicos. Cada um de nós também cria as nossas casas dentro do contexto das nossas próprias identidades, o que é um luxo que o design voltado para o público não nos permite. Quando projetamos espaços públicos, deveríamos estar continuamente nos perguntando como criar um pouco da sensação personalizada de uma casa com curadoria, em vez de usar o esquema de “combinação” mais típico que os escritórios e bibliotecas do passado usaram.
