Questionamentos sobre Londres após as Olimpíadas

Após o governo britânico divulgar dados de que as Olimpíadas de Londres causaram um impulso de 10 bilhões de libras esterlinas na economia do Reino Unido - ultrapassando o investimento inicial em apenas um ano - surgiram questionamentos, dentro da comunidade arquitetônica, sobre os efeitos a longo prazo da herança construída resultante dos jogos.

Olly Wainwright, crítico do The Guardian, é duro a respeito do Parque Olímpico, particularmente a respeito dos empreendimentos nos limites do local: "em cada junção desta impactante via há uma enorme torre, cada uma revestida por cores berrantes, que transformam a rua no palco de uma disputa de egos. Pairando sobre os prédios adjacentes, estes totens impetuosos são monumentos à ganância olímpica... Tire as cores festivas e o que resta são grandes torres de flats que serão vendidos, sobretudo, para investidores de outros países.

Saiba mais da opinião de Wainwright e de outros sobre o legado Olímpico em Londres...

Embora Wainwright seja também crítico a respeito do East Village - a área residencial no parque ("Há pouca sensação de escala humana") - ele tem uma opinião positiva sobre Kathryn Firth e Eleanor Fawcett, chamando as arquitetas responsáveis pelo projeto do London Legacy Development Corporation (LLDC) de uma "dupla convincente". As duas foram encarregadas de reconectar o Parque Olímpico à área circundante e desenvolver um bairro que tenha mais a ver com o restante de East London:

"Elas trazem uma bem vinda voz de sanidade após um desastroso fracasso de planejamento, buscando transformar em um lugar coerente esta colagem de retalhos," complementa Wainwright, mas que também adverte: "apesar das arquitetas transmitirem, através de palavras e desenhos, uma reconfortante mensagem, há ainda poucas evidências de que suas intenções darão frutos."

Por outro lado, BDOnline procurou a opinião de dois especialistas com diferentes opiniões: a Diretora da Oppidan Design Sowmya Parthasarathy celebra o fato de que "duzentos hectares de terra foram liberados de um emaranhado de postes e dutos. Mais de 30 novas pontes e passagens subterrâneas ajudaram reparar a fragmentada região de Lower Lea Valley."

Parthasarathy comenta: "Embora os ícones visíveis do legado sejam impressionantes, projetos mais modestos espalhados por uma área mais vasta - impulsionados pelos Jogos - tiveram, sem dúvida, um sucesso ainda maior."

Contra argumentando, Michel Edwards, conferencista Senior de economia do planejamento urbano na Bartlett, diz que a proposta olímpica de Londres - implementada durante a recessão - significa que "o legado positivo é dificilmente detectável na enxurrada de mudanças sociais destrutivas".

Ele aponta que a economia britânica, baseada na austeridade, significa que "as ambições de moradia popular foram aniquiladas pelas pressões que visam diminuir a dívida pública."

No entanto, admite que as Olimpíadas proporcionaram um sopro de vida para a indústria da construção civil em meio aos piores anos de recessão: "os Jogos mantiveram construtores e projetistas ocupados durante anos que teriam sido mornos"

Sobre este autor
Cita: Stott, Rory. "Questionamentos sobre Londres após as Olimpíadas" [London's Olympic Legacy Called into Question ] 07 Set 2013. ArchDaily Brasil. (Trad. Baratto, Romullo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/01-138799/questionamentos-sobre-londres-apos-as-olimpiadas> ISSN 0719-8906

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