Álvaro Siza: "Eu sou uma estrela cadente"

Questionado durante o Fórum do Futuro, que aconteceu no Porto entre os dias 23 e 30 de novembro, sobre o papel do arquiteto no atual contexto sociopolítico, Álvaro Siza respondeu com o humor e tom cáustico habitual: “Eu sou uma estrela cadente.”

Na ocasião, Siza tinha ao seu lado ninguém menos que Rafael Moneo, vencedor o Prêmio Pritzker em 1996. No debate, intitulado “A arquitetura na reconstrução da cidade”, ambos os arquitetos foram indagados sobre a profissão da arquitetura no cenário econômico contemporâneo e, através de suas falas, se mostraram incomodados com a atual explosão de “arquitetos estrelas”.

Tanto Siza como Moneo se mostram mais interessados em explorar os tempos passados de uma disciplina que hoje se apresentam bastante subvalorizada. Como apontou Moneo, hoje em dia, quando se contrata um arquiteto como Frank Gehry, o cliente está disposto a “pagar por uma imagem brilhante”, mas não os custos de uma construção brilhante, sólida e perene. O investimento é direcionado para o arquiteto “que trará brilho ao cliente, e não se aposta na qualidade da arquitetura."

Quatro artigos sobre Teoria da Arquitetura

Relembre os quatro artigos que publicamos sobre a Teoria da Arquitetura.

Exposição e conferência de Rafael Moneo no CCB em Lisboa

Rafael Moneo – Uma reflexão teórica a partir da profissão. Materiais de arquivo (1961-2013)” é o título da exposição que a Garagem Sul - Exposições de Arquitectura do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, apresenta de 16 de setembro (hoje) a 23 de novembro. A abertura da exposição contará com uma conferência com o arquiteto Rafael Moneo, às 21h00, no Grande Auditório do CCB.

Esta exposição, que inicia em Portugal seu percurso internacional depois de ter sido apresentada entre 2013 e 2014 na Corunha, constitui a primeira grande retrospectiva do arquiteto espanhol (laureado do Prêmio Pritzker em 1996 e Prêmio Príncipe de Asturias de las Artes 2012) e conta com a curadoria de Francisco Gonzalez de Canales, da Architectural Association de Londres.

A Solidão dos Edifícios / Rafael Moneo

Escolhi três edifícios para exemplificar meu trabalho. Eles diferem com respeito às exigências e às condições do sítio, mas todos são edifícios públicos. Eles podem ser considerados como representativos do meu trabalho dos últimos dez anos.

Por que edifícios ao invés de projetos? Por que trabalho ao invés de discurso teórico? Eu acredito que na crua realidade de obras construídas é possível ver claramente a essência de um projeto, a consistência de ideias. Eu acredito fortemente que arquitetura precisa do suporte da matéria; que o primeiro é inseparável do segundo. A arquitetura surge quando nossos pensamentos sobre ela adquirem a condição real que somente os materiais podem fornecer. Aceitando e negociando com as limitações e restrições, com o ato de construção, a arquitetura se torna o que ela realmente é.

As consequências dos riscos assumidos pelos arquitetos

O encontro entre dois jornalistas com uma frigideira e um ovo em frente ao edifício que "derrete carros" Walkie Talkie, do arquiteto uruguaio Rafael Viñoly, esperando que o ovo cozinhe, levanta a questão: Por que os "edifícios-estrela" falham? O recente artigo de Anatxu Zabalbeascoa, publicado no El País, busca responder até que ponto os arquitetos podem assumir riscos e mostrar as consequências que o excesso de criatividade pode acarretar em algumas situações. Leia o artigo completo aqui.

O edifício não importa / Igor Fracalossi

"Sou quem não é, quem fez secessão, o separado, ou inclusive, como se diz, aquele em quem o ser é questionado. Os homens afirmam-se pelo poder de não ser: assim atuam, falam, compreendem, sempre distintos de por quê são, escapando do ser por um desafio, um risco, uma luta que chega até a morte e que é a história. É isto o que Hegel mostrou. “Com a morte começa a vida do espírito.” Quando a morte se torna poder, o homem começa, e este começo diz que para que haja mundo, para que haja seres, é necessário que o ser falte." —M. Blanchot, 1955.

Vídeo: Elogio à luz - Rafael Moneo

Apresentamos ao leitor o documentário "Elogio à luz - Rafael Moneo", onde podemos revisar aspectos de sua vida e alguns de seus projetos, contados por suas próprias palavras e interessantes interessantes imagens que percorrem suas obras, dentre as quais o Museu de Arte Romana de Mérida -  construído entre 1981 e 1985, obra que se conecta com o passado e se refere tanto à arquitetura histórica quanto à contemporânea -, a Prefeitura de Murcia 1995-1998, a Estação de Atocha 1985 - 1992, Bodegas Chivite de 2002, e a Fundação Miró construída entre 1989 e 1992.

Clássicos da Arquitetura: L'Auditori / Rafael Moneo

Clássicos da Arquitetura: L'Auditori / Rafael Moneo Clássicos da Arquitetura: L'Auditori / Rafael Moneo © Flickr Francesc_2000 Clássicos da Arquitetura: L'Auditori / Rafael Moneo

O concreto aparente marca a estrutura e enquadra os painéis de aço cortén. Com uma dimensão horizontal maior, os painéis levam a uma leitura horizontal do edifício, mesmo com a marcação vertical dos pilares.

Feliz Aniversário Rafael Moneo!

"Confundir arquitetura com obra de arte gera lugar a muitos excessos".

Personalização das obras e originalidade / Enrique Browne

Igreja de Iesu / Rafael Moneo