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Quinta da Boavista / SAMF Arquitectos

  • 09:00 - 1 Março, 2017
Quinta da Boavista / SAMF Arquitectos
Quinta da Boavista / SAMF Arquitectos, © José Campos
© José Campos

© José Campos © José Campos © José Campos © José Campos + 46

© José Campos
© José Campos

Do arquiteto. O conjunto de edifícios da Quinta da Boavista em Mesão Frio estão situados num ponto privilegiado ao longo da encosta norte do Vale do Douro, fixando uma inflexão na topografia que oferece uma vista panorâmica sobre a larga curva do rio em baixo. Além da sua função agrícola, dedicada ao cultivo da vinha, esta quinta tem também um uso recreativo, hospedando sazonalmente uma família numerosa, conjugado com o uso turístico.

© José Campos
© José Campos
Planta 00
Planta 00
© José Campos
© José Campos

Este projeto é última fase de um processo de crescimento orgânico, iniciado no Século XVIII com a construção de dois edifícios, a casa principal do proprietário e o edifício da cozinha, separados por alguns metros: a casa destacando-se pela dimensão e regularidade dos vãos, e a cozinha implantada perpendicularmente no socalco posterior. Com o crescimento do conjunto, estas construções foram unidas, mas uma circulação complexa era reveladora desta separação original. Após um incêndio na década de 50 do Século XX, um novo piso foi adicionado ao edifício secundário, adicionando mais um nível a um conjunto que se adapta às diferentes alturas dos socalcos.

© José Campos
© José Campos
Corte
Corte
© José Campos
© José Campos

A nossa intervenção iniciou-se com a construção de uma nova casa para os caseiros, que substitui uma construção de apoio agrícola existente no local, reinterpretando a tipologia de dois volumes de duas águas posicionadas de topo em relação ao socalco. Entrando na propriedade, a casa recebe quem chega, ligeiramente destacada mas perfeitamente integrada num grupo de construções com um forte carácter homogêneo. Este carácter é dado pela consistência tipológica e de acabamentos: o  conjunto de volumes simples e brancos cobertos com telha cerâmica, os muros dos socalcos em pedra de xisto, pavimentos de granito e mosaico hidráulico, treliças e restantes carpintarias pintadas de azul-escuro.

© José Campos
© José Campos

No entanto, e por muito que o edifício se relacione diretamente com a tradição vernacular, no seguimento dos desejos do cliente e do desejo de manter  o  frágil equilíbrio desta paisagem cultural, também se relaciona com a tradição moderna, propondo uma interpretação aberta, com subtis alterações dos detalhes construtivos, que tendem a dar um carácter mais abstrato e ambíguo ao conjunto.

© José Campos
© José Campos

A intervenção na casa principal, que inclui áreas de ampliação e reabilitação profunda, reorganizou toda a circulação, aproveitando o espaço vagado pelos caseiros e estabelecendo novas ligações entre espaços existentes. A ampliação altera também o conjunto edificado ao transformar a forma em L existente numa forma em U, criando um pátio, definido pelos edifícios originais, o socalco a norte e o pórtico aberto da ampliação que enquadra o rio.

© José Campos
© José Campos

Ao invés de procurar um contraste, por vezes forçado, entre o novo e o antigo, a intervenção procurou investigar e aprofundar o que era único no edifício e na paisagem. Apesar das extensas alterações na organização espacial, o carácter dos interiores foi mantido, mantendo a paleta dos materiais e buscando a intemporalidade do desenho.

Na área ampliada a atitude foi mais topográfica, procurando relacionar-se mais com a paisagem do que com os volumes existentes. O edifício, com um novo espaço de convívio, é uma continuação dos muros de xisto contíguos, caiados na tradição local de individualizar pontos singulares nestas longas curvas de nível. O edifício define-se por três elementos: os muros e escadaria em xisto que redesenham e dão uma conclusão ao socalco existente, a varanda, delimitada por colunas esbeltas de aço, varandins e portadas em treliça azul, e a laje de cobertura que é a continuação do nível do socalco superior.

© José Campos
© José Campos

O outro volume ampliado, a nova escada, é um cilindro rebocado e pintado de branco, que une internamente os dois pisos da forma o mais fluida e direta possível. Resulta da demolição de um acrescento existente, da necessidade de reforço estrutural das paredes existentes, e das vantagens na organização interna que a remoção da escada antiga representava. Mesmo que a sua forma em espiral e um lanternim circular emprestem um certo dramatismo ao espaço interior, pelo exterior, o volume procura fundir-se com as paredes existentes, e a sua presença cilíndrica lembra os silos industriais de armazenamento de vinho que se vêm na região a pontuar a paisagem. 

© José Campos
© José Campos

A intervenção também tentou alterar a forma como o edifício se “fortificava” contra o exterior. Abriram-se novos vãos para promover uma relação mais direta com o espaço adjacente à casa, o qual foi caracterizado diferentemente de acordo com os respectivos espaço internos. No pátio de entrada foi aberta uma janela, em contacto com a cozinha, sob a grande chaminé. Os novos quartos no piso térreo, ganharam um acesso direto ao exterior, transformando-se janelas de peito em janelas de sacada, recuadas e protegidas por portas de “loja”. O novo pátio ganhou outra janela na sala de jantar, e o pórtico do volume de pedra oferece uma ampla zona coberta, protegida do sol e da chuva.

No entanto, o nosso objetivo nunca foi a transparência, tal como idealizada pelo Modernismo mais positivista. Aqui, todas as aberturas podem ser obscurecidas, e mesmo a nova sala com a sua varanda aberta sobre o rio, que neste local se apresenta deslumbrante, pode ser protegida de uma vista que, se for omnipresente, pode ser opressiva, seguindo a tradição de origens mouras que prefere ver sem ser visto.

© José Campos
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Cita: "Quinta da Boavista / SAMF Arquitectos" [Quinta da Boavista / SAMF Arquitectos] 01 Mar 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <http://www.archdaily.com.br/br/806176/quinta-da-boavista-samf-arquitectos>