Sede e Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia / Sergio Kopinski Ekerman

Sobre a edificação

Atendendo à necessidade de adaptar o funcionamento da comunidade às mudanças ocorridas em seus sessenta anos de existência foi preciso buscar um novo lugar, acessível ao pedestre e na área de expansão da cidade, onde reside a maior parte das famílias hoje sócias da SIB.

Cortesia Sergio Kopinski Ekerman

Após um longo processo foram adquiridas três casas na Rua das Rosas, Pituba, demolidas para dar lugar a um lote com área de 1270,00m².

Maquete Processo 1

Tal área será ocupada por uma construção multiuso, que agrega o uso religioso ao uso comunitário, respeitando a função básica da sinagoga de ser o Beit Ha-Knesset (Casa da Congregação), o Beit Ha-Tefilah (Casa da Oração) e o Beit Ha-Midrash (Casa do Estudo), consolidando o desejo de unificação das sedes religiosa e social num só edifício.

Partido 

Maquete Processo 2

O partido adotado responde ao programa religioso, educativo e social proposto, bem como adapta-se aos restritos parâmetros urbanísticos da área, buscando expressar o caráter agregador da sede multifuncional através de um volume único e horizontal.

Planta de Situação

A implantação do pavimento térreo faz-se um metro acima da rua, de modo a diminuir a escavação do subsolo, bem como faz um contraponto  ao lote irregular, localizado frente a um trecho  da  rua em curva acentuada. A implantação, assim, busca posicionar o acesso de pedestres e veículos num ponto central estratégico, bem como preservar uma árvore existente no espaço urbano e liberar as zonas de recuo obrigatório para jardins e áreas comuns.

Maquete Processo 3

O volume é, por sua vez, composto de duas partes fundamentais: o trecho religioso e congregacional, ao leste, onde estão a sinagoga, o salão multiuso e a quadra poliesportiva descoberta, e o tramo comunitário, que reúne a oeste o programa mais compartimentado e funcional, tais como salas administrativas, escritório do rabino, biblioteca e piscina, na cobertura.

Cobertura e área de lazer - Imagem Urban Recycle

Os dois momentos têm respostas arquitetônicas sutilmente diversas, variando de um volume fragmentado e protegido pela vegetação a um sólido encerrado e monolítico, reflexo da presença do espaço religioso bem como do salão multiuso, espaços caracterizados pela necessidade de controle da luz natural.

Referência Cobogó Triangular 2

Tal transição é marcada pelo uso de um cobogó triangular, que corresponde no alçado frontal à posição do vestíbulo da sinagoga, do foyer do espaço multiuso e da circulação vertical no edifício, espaços de conexão entre os diferentes usos propostos.

Estudo Azulejos

Para o volume da sinagoga está prevista a utilização de azulejos artísticos azuis e brancos, montando um padrão geométrico trabalhado a partir da figura da estrela de seis pontos, a Estrela de David, criando relação de linguagem com os azulejos modernistas brasileiros, por sua vez uma expressão bastante ligada à tradição da arquitetura colonial em Salvador.

Referência Azulejo Colonial

O restante do prédio deverá ser revestido em pastilha de porcelana branca fosca de 2,5×2,5cm.

Cortesia de Sergio Kopinski Ekerman

O concreto aparente é a escolha para execução de elementos de arremate da composição volumétrica, tais como o muro frontal, a marquise na cobertura e a parede ritual da sinagoga. A composição tira partido da estrutura de concreto com laje nervurada e vãos de 12,5×7,40m, propícios a criação de espaços amplos e sem obstáculos, capazes de cumprir sua função congregacional.

SINAGOGA

A sinagoga proposta é um espaço retangular de planta central, desenhado em função de seus dois elementos fundamentais: o Aron Ha Kodesh, ou Arca Sagrada, onde guarda-se a Torah; e a bimah, o baldaquino, de onde conduz-se a liturgia.

Croqui Processo - 3

A planta é do modelo tradicional de sinagogas ashquenazitas, ou seja, ligada à tradição judaica oriunda do leste europeu, de onde vieram grande parte dos ancestrais da comunidade.

Planta Térreo

Neste caso, a bimah localiza-se ao centro, tendo a congregação à sua volta, e mirando o muro orientado a leste onde fica a Torah (voltada a Jerusalém). A platéia está organizada em níveis diferentes, o que cria uma situação confortável para visualização da cerimônia. Todo o conjunto visa acentuar o caráter congregacional do espaço

Sinagoga interior - Imagem Urban Recycle

O Aron Ha Kodesh a ser utilizado será trazido da sinagoga atual. A peça em madeira de lei consitui numa forte referência para a comunidade e será disposta num nicho de concreto aparente, ladeado por muros com o mesmo tratamento.

A sinagoga é também o único espaço do prédio com a laje nervurada aparente, levando o pé-direito máximo a cerca de cinco metros. Quatro pilares de concreto aparente e seção circular delimitam o espaço principal e duas “naves” laterais , onde serão resolvidos os equipamentos de climatização, sob forro em madeira, bem como assentos complementares para cerimônias com maior público.

Croqui Sinagoga 2

A luz natural é um elemento fundamental na composição espacial da sinagoga, uma vez que reforça a liturgia a partir do destaque do muro leste, bem como do nicho sobre a Arca Sagrada, que recebe a luz zenitalmente, de modo a evocar a presença do sagrado, a luz divina.

Café e kidush - Imagem Urban Recycle

O recinto religioso deverá também receber uma menorah (candelabro de sete braços) e o ner tamid (luz eterna), a serem executados como esculturas metálicas de caráter mais orgânico, aplicadas sobre a supefície do concreto, respectivamente no muro leste e no teto.

Ficha técnica:

  • Arquitetos:Sergio Kopinski Ekerman
  • Ano: 2011
  • Área construída: 1270 m²
  • Tipo de projeto: Religioso
  • Operação projetual:Projeto
  • Status:Concurso
  • Materialidade: Vidro
  • Estrutura: Concreto
  • Localização: Salvador , Brasil
  • Implantação no terreno: Isolado

Equipe:

  1. Arquiteto
  2. Sergio Kopinski Ekerman
  3. Colaboradores
  4. Diego Mauro
  5. Daniel Sabóia
  6. Patrícia Almeida
  7. Pedro Miguel
  1. Cliente
  2. Sociedade Israelita da Bahia

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita:Joanna Helm. "Sede e Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia / Sergio Kopinski Ekerman" 15 May 2013. ArchDaily. Accessed . <http://www.archdaily.com.br/br/01-10431/sede-e-sinagoga-da-sociedade-israelita-da-bahia-sergio-kopinski-ekerman>
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