Clássicos da Arquitetura: Pavilhão Brasileiro de 1939 em Nova York / Lucio Costa e Oscar Niemeyer


  • Por Carlos Eduardo Comas

 

Graça, leveza, extroversão, exuberância e porosidade respondem ao desejo de transmitir atributos convencionalmente considerados apropriados para um pavilhão de feira. A teatralidade também convém a um tipo de construção que não deve durar mais que uma estação, como uma peça.

© Arqtexto 16
Planta 1

Nessa perspectiva, o violento contraste entre as elevações de rua e jardim e comparável ao contraste entre bastidores e boca de cena. A elevação para o patio ajardinado evoca a grandiloqüência de outros pavilhões através de sua colunata colossal e ao mesmo tempo que a evita aravés de sua materialidade, trazendo à mente o Palácio de Cristal (1851) que continha uma feira inteira em Londres, a primeira com intenções universais.

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Planta 2

De outra perspectiva, Lucio sugere um contraste entre a severidade dórica do edifício do Ministério da Educação, um monumento cívico para todas as estações, com a graça e leveza jônicas do pavilhão temporário. Implicações da feminilidade e lirismo são reforçadas pela chapa de metal que reveste as colunas de aço como uma voluta. As conotações palacianas da colunata se mantém em tom menor.

© Arqtexto 16
© Arqtexto 16

Um ar doméstico predomina, elegante, mesmo que às vezes peculiar1. Como Sert em Paris, Lucio e Niemeyer rejeitam o conceito linear adotado por Mies em Barcelona. Não deixam dúvida de que a linhagem tipológica do pavilhão é a da vila romana.

© Arqtexto 16
© Arqtexto 16

Estão conscientes que a organização axial, o átrio e o peristilo da vila reaparecem no hôtel particulier francês com o corps-de-logis entre pátio e jardim como na casa de engenho brasileira que tem varanda com colunas na frente e um patio fechado de três lados aberto para o campo ao fundo, como a fazendo Colubandê neoclássica, perto do Rio2, igualmente notável pelas múltiplas entradas aos serviços no piso térreo.

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O Brasil colonial urbano e os componentes mouros de sua descendência ibérica justificam modelar o brise-soleil como um muxarabi moderno fixo, em vez dos painéis móveis mais elaborados projetados para o prédio do Ministério da Educação. A evocação do passado ancestral é combinada com a alusão ao pavilhão moderno, Melnikov (a via de acesso pública que sobe), Sakakura (a rampa e as treliças) e Aalto (curvas), para não mencionar Mies (a externalização da mecânica da planta livre) e Perret (as colunas colossais e as truncadas).3

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Referência: COMAS, Carlos Eduardo. “Feira Mundial de Nova York de 1939: O Pavilhão Brasileiro“, em Arqtexto 16 (Porto Alegre, UFRGS).

  1. Nesse sentido, o projeto conjunto é mais parecido com o projeto de concurso de Lucio, com o seu peristilo interno, que ao de Niemeyer, cuja galeria tinha ar de depósito.
  2. Colubandê é um tipo de mplantação residencial rural paradigmática estudada por Joaquim Cardozo, “Um tipo de casa rural do Distrito Federal e Estado do Rio”. Revista do SPHAN (Rio de Janeiro), 1943, n°. 7: 209-256. Está disponível em http://www.joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/poemas/arquitetura/casa_rural.pdf, sem imagens.
  3. As ilustrações utilizadas pertencem originalmente à publicação “Arquitetura Moderna, estilo Corbu, Pavilhão Brasileiro” em AU 26 (São Paulo, 1989) e à tese de doutorado do mesmo autor, Précisions.

Ficha técnica:

  • Arquitetos: Lucio Costa e Oscar Niemeyer
  • Ano: 1939

Localização aproximada

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Citar: Fracalossi , Igor . "Clássicos da Arquitetura: Pavilhão Brasileiro de 1939 em Nova York / Lucio Costa e Oscar Niemeyer" 25 Aug 2012. ArchDaily. Accessed 25 May 2013. <http://www.archdaily.com.br/67026>
  • Fernando Gobbo

    Caramba! Fotos e desenhos! Esse pavilhão é um daqueles que nunca deveriam ter sido desmontados. É bonito demais.